Nos bosques, perdido

Le Poème de l'âme - Adieu - Anne-François-Louis Janmot (1814-1892)


Nos bosques, perdido, cortei um ramo escuro
E aos labios, sedento, levante seu susurro:
era talvez a voz da chuva chorando,
um sino quebrado ou um coracao partido.
Algo que de tao longe me parecia
oculto gravemente, coberto pela terra,
um gruto ensurdecido por imensos outonos,
pela entreaberta e humida treva das folhas.
Porem ali, despertando dos sonhos do bosque,
o ramo de avela cantou sob minha boca
E seu odor errante subiu para o meu entendimento
como se, repentinamente, estivessem me procurando as raizes
que abandonei, a terra perdida com minha infancia,
e parei ferido pelo aroma errante.

- Pablo Neruda -

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