Antony singing If It Be Your Will

Palavras

Claude Monet - Poppy Field Near Giverny


Palavras que disseste e já não dizes,
palavras como um sol que me queimava,
olhos loucos de um vento que soprava
em olhos que eram meus, e mais felizes.

Palavras que disseste e que diziam
segredos que eram lentas madrugadas,
promessas imperfeitas, murmuradas
enquanto os nossos beijos permitiam.

Palavras que dizias, sem sentido,
sem as quereres, mas só porque eram elas
que traziam a calma das estrelas
à noite que assomava ao meu ouvido...

Palavras que não dizes, nem são tuas,
que morreram, que em ti já não existem
-que são minhas, só minhas pois persistem
na memória que arrasto pelas ruas.

Pedro Támen

Canção do Amor-Perfeito

Woman at Her Toillette - Ignace Henri Theodore (1836 - 1904 France)


O tempo seca a beleza.
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.

O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.

O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.

Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.

- Cecília Meireles -

I Cried For You - Katie Melua


Exaltation - Frederick Hart (1943-1999)

You're beautiful so silently
It lies beneath a shade of blue
It struck me so violently
When I looked at you

But others pass, the never pause,
To feel that magic in your hand
To me you're like a wild rose
They never understand why

I cried for you
When the sky cried for you
And when you went
I became a hopeless drifter
But this life was not for you
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper

I'll cross the sea for a different world,
With your treasure, a secret for me to hold

In many years they may forget
This love of ours or that we met,
They may not know
how much you meant to me.

I cried for you
And the sky cried for you,
And when you went
I became a hopeless drifter.
But this life was not for you,
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper

Without you now I see,
How fragile the world can be
And I know you've gone away
But in my heart you'll always stay.

I cried for you
And the sky cried for you,
And when you went
I became a hopeless drifter.
But this life was not for you,
Though I learned from you,
That beauty need only be a whisper
That beauty need only be a whisper

Para quê um novo acordo ortográfico?


Não vejo quais as vantagens que isso nos possa trazer. Escrevo português e continuarei a escrever o português de acordo com o que me foi ensinado. Não vou mudar, independentemente de esse “novo acordo” vir ou a não a ser assinado.
A verdade é que, um brasileiro lê perfeitamente a ortografia portuguesa (o dito português europeu – ora essa, português é de Portugal e não do Brasil) e o vice-versa.
Não que esteja em desacordo com algumas alterações, nomeadamente a introdução das letras “k”, “w” e “y” no nosso alfabeto. É natural a evolução linguística, mas não nos termos que nos é proposto. Na verdade, algumas alterações são de todo aberrantes.
Mais me parece que o que nos estão a propor é uma imposição da língua brasileira…mais uma vez as imposições de quem nos “governa” – ora…afinal o português nasceu em Portugal ou no Brasil?!
DISPENSO ESTE ACORDO.
Sou portuguesa, não deveria ter uma palavra a dizer? (Eu, como quem diz os portugueses em geral). Mas já nos vamos habituando (ou abituando (ridículo)) aos mandos e desmandos dos nossos governantes, porque haveria agora de haver uma excepção?
Vejamos as principais alterações em análise apresentadas no Banco de Dados da Língua Portuguesa – FFCLH USP (2007):
- As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Assim, ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, passar-se-á a escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”;
- Mudam-se as normas para o uso do hífen no meio das palavras; O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com excepção daquelas em que o prefixo termina em “R”, como é o caso de “hiper-”, “inter-”, “super-“. Desta forma todas as palavras em que se usava o hífen e cujo prefixo não termina em “R” passarão a escrever-se unidas, como por exemplo “autoestrada”, “extraescolar”, entre outras.
- Não se usará mais o acento circunflexo na terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos “CRER”, “DAR”, “LER”, “VER”e seus decorrentes, passando, assim, a escrever-se “CREEM”, “DEEM” e “VEEM” (ridículo a meu ver, ora pronunciem correctamente esta nova forma de escrever);
- Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como " louvámos " em oposição a "louvamos" e " amámos" em oposição a "amamos";
- O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de "k", "w" e "y";
- O acento deixará de ser usado para diferenciar "pára" (verbo) de "para" (preposição) – (o quê?????!!!!!!!!!!!! - imaginem alguém dizer a outrem “para, para” e o outrem “para o quê?, e o alguém “não é para, é para” – alguém percebeu?);
- Desaparecem da língua escrita o " c " e o "p " nas palavras onde ele não é pronunciado, como em "acção", "direcção", "acto", "adopção" e "baptismo". O certo será ação, direção, ato, adoção e batismo;
- Também em Portugal elimina-se o " h " inicial de algumas palavras, como
em "húmido", que passará a ser grafado como no Brasil: " úmido"- eis mais uma que nos impingem os brasileiros (atenção, não tenho nada contra o Brasil e seus habitantes, mas bolas, o PORTUGUÊS E NOSSO, É DE PORTUGAL); - já agora eliminem também o “H” do (h)á….
Enfim, alguns exemplos daquilo que nos querem impor….

Katie Melua - 'If You Were A Sailboat'

TU

Mártonhegy Road - Ligeti, Antal (Hungarian, 1823-1890)


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


- Pablo Neruda -
Moon Rising over the Sea - Caspar David Friedrich (1774-1840)


Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

- Mário Quintana -

AMO-TE

Douleur d'amour - William Bouguereau



Ah o amor ... que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei porquê...

-Carlos Drumond de Andrade-

PENSO EM TI COM TAMANHA TERNURA

Reverie - O'Meara Frank (Irish, 1853-88)


Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluír de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir,

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas como o pensar te pudesses partir.

António Gedeão ( Poemas escolhidos)

Se cada dia cai

Adonis Led - Albani, Francesco (Italian, 1578-1660)


Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência.


- Pablo Neruda -

Azure Ray - November

VELHA CANÇÃO

Paris Street Scene - Lungren, Fernand Harvey (American, approx. 1857-1932)

Não penses que não te espero
na aparente indiferença.
Esta fingida descrença
só disfarça desespero.

Se a falsa máscara fria
pudesse quebrar esta ânsia
saberias que a constância
é meu pão de cada dia.

Um pudor duro e severo
esperar desesperado
é o que nutre este pecado
de querer como te quero.

Destarte - tímido louco -
não ouso sondar tua alma
e nesta insofrida calma
dia a dia morro um pouco.

- Menotti del Picchia -

The Tree of crows

The Tree of Crows - Caspar David Friedrich (1774-1840)

O amor quer somente amar

Symbol of the Merry Life - Makart, Hans 1840 - 1884 Austria

Quanto mais envelhecia, quanto mais insípidas me pareciam as pequenas satisfações que a vida me dava,
Tanto mais claramente compreendia onde eu deveria procurar a fonte das alegrias da vida.
Aprendi que ser amado não é nada, enquanto amar é tudo.
O dinheiro não era nada, o poder não era nada.
Vi tanta gente que tinha dinheiro e poder, e mesmo assim era infeliz.
A beleza não era nada.
Vi homens e mulheres belos, infelizes, apesar de sua beleza.
Também a saúde não contava tanto assim. Cada um tem a saúde que sente.
Havia doentes cheios de vontade de viver e havia sadios que definhavam angustiados pelo medo de sofrer.
A felicidade é amor, só isto.
Feliz é quem sabe amar.
Feliz é quem pode amar muito.
Mas amar e desejar não é a mesma coisa.
O amor é o desejo que atingiu a sabedoria.
O amor não quer possuir.
O amor quer somente amar.

- Herman Hesse -

Cai chuva do céu cinzento

Le Poème de l'âme - L'Infini - Janmot Anne Francois Louis



Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.

Tenho uma grande tristeza
Acrescentada à que sinto.
Quero dizer-ma mas pesa
O quanto comigo minto.

Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não,
E a chuva cai levemente
(Porque Verlaine consente)
Dentro do meu coração.

- Fernando Pessoa -

Ah ! A Angústia, A Raiva Vil, o Desespero

Le Poème de l'âme - Réalité - Anne François Louis Janmot (1814-1892)


AH! A ANGÚSTIA, a raiva vil, o desespero
De não poder confessar
Num tom de grito, num último grito austero
Meu coração a sangrar!

Falo, e as palavras que digo são um som Sofro, e sou eu.
Ah! Arrancar à música o segredo do tom
Do grito seu!

Ah! Fúria de a dor nem ter sorte em gritar,
De o grito não ter
Alcance maior que o silêncio, que volta, do ar
Na noite sem ser!

- Fernando Pessoa -
Winter Ice - Arseny Ivanovitch 1834 - 1902


As ordens da madrugada romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo e alguma esmola do vento
quebraram as formas do sono com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe; entre nós dois anda o mundo,
com alguns vivos pela tona, com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas, mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada senão ir andando à toa,
como um número que se arma e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga é tudo que tenho entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música, meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto, fecho os olhos de saudades;
tenho visto muita coisa, menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos tristes, dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino já me dá contentamento.
Como tudo sempre acaba, oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito: apenas consentimento.


Marcha - Cecília Meirelles

Something About Christmas Time



It's been too many nights of being with you, to now be suddenly without you.

O Amor é como o vento...

Love is like the wind. You cannot see it but you can always feel it.
Ontem vi o filme A Walk to Remember (2002). Mexe com os sentimentos das pessoas e, comigo em especial, mexeu bastante. Confesso que derramei algumas lágrimas.
No fim, este filme diz-nos o quê? Diz-nos aquilo que, afinal, é o AMOR.
O amor é como o vento. Não se vê, mas sente-se.
E diz mais o quê? Que, afinal, não se escolhe a pessoa que vamos amar, o amor surge naturalmente, não se escolhe amar. Não se aprende a amar. E pensar que há quem discorde...há quem diga que se aprende a amar...mas não, não se aprende a amar, aprende-se a gostar, jamais se aprende a amar.
Não se escolhe a pessoa objecto do nosso amor...se assim fosse, tudo seria tão fácil, pois que, se houvesse então possibilidade de escolha, também sería fácil deixar de amá-la.
Mas...isso não seria AMOR, verdade?

We've got tonight

Alma Guerreira (Fogo)


Le Poème de l'âme - L'Idéal - Anne François Louis Janmot (1814-1892)


À volta desta fogueira
todos saltam, todos dançam, todos gritam;
e nesta dança guerreira
todos temem, ninguém foge, todos ficam.

E não há luar
mas vou ficar,
ficar por ti, por ti,
por ti meu amor,
o pranto sequei e à volta da fogueira,
entrei na dança guerreira
e me enfeiticei...

À volta desta fogueira
todos saltam, todos dançam, todos gritam;
e nesta dança guerreira
todos temem, ninguém foge, todos ficam.

Tu, tu vais ficar e vais dançar
porque sem ti, sem ti,
sem ti meu amor eu não vejo o céu,
apaga-se a fogueira que esta dança guerreira
em mim acendeu.

-João Mendonça (Poeta Português)-

A fome do primeiro grito

LOVE - Gustav Klimt


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero


Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez
e mais atento.

-Hilda Hilst-

Kiss of Life -Sade

Só pelo amor vale a vida!


-Orison Swett Marden-

POESIA

Peace - CHASSÉRIAU, Théodore (1819-1856)

Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia desse momento
inunda minha vida inteira.

-Carlos Drummond de Andrade-

Dá-me lírios

Le Poème de l'âme - Souvenirs du ciel - Anne François Louis Janmot (1814-1892)

Dá-me lírios, lírios,
E rosas também.
Mas se não tens lírios
Nem rosas a dar-me,
Tem vontade ao menos
de me dar os lírios
E também as rosas.
Basta-me a vontade,
Que tens, se a tiveres,
De me dar os lírios
E as rosas também,
E terei os lírios-
Os melhores lírios-
E as melhores rosas
Sem receber nada,
a não ser a prenda
Da tua vontade
De me dares lírios
E rosas também.


-Álvaro de Campos (Pessoa: 1888-1935)-

Soneto III

Moonlight by a river - Kamenev, Lev Lvovic 1833 - 1886

Aspero amor, violeta coronada de espinas,
matorral entre tantas pasiones erizado,
lanza de los dolores, corola de la cólera,
por qué caminos y cómo te dirigiste a mi alma?

Por qué precipitaste tu fuego doloroso,
de pronto, entre las hojas frías de mi camino?
Quién te enseñó los pasos que hasta mí te llevaron?
Qué flor, qué piedra, qué humo mostraron mi morada?

Lo cierto es que tembló la noche pavorosa,
el alba llenó todas las copas con su vino
y el sol estableció su presencia celeste,

mientras que el cruel amor me cercaba sin tregua
hasta que lacerándome con espadas y espinas
abrió en mi corazón un camino quemante.

-Pablo Neruda-

Love Me Tender by Cage in Wild at Heart

Um dos meus filmes preferidos. Este filme evoca o amor na sua grandeza, uma história de amor verdadeiro e que resiste a tudo...

Navio naufragado

Moonlit Seascape With Shipwreck - Aivazovsky, Ivan Constantinovich

Vinha de um mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.

É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez de veias
E uma medusa em vez de coração.

Em seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.

E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves dos cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos de videntes.

-Sophia de Mello Breyner Andresen-

Água Morrente

Le Poème de l'âme - Le Passage des âmes - Anne François Louis Janmot (1814-1892)

Meus olhos apagados,
Vede a água cair.
Das beiras dos telhados,
Cair, sempre cair.

Das beiras dos telhados,
Cair, quase morrer...
Meus olhos apagados,
E cansados de ver.

Meus olhos, afogai-vos
Na vã tristeza ambiente.
Caí e derramai-vos
Como a água morrente.

-Camilo Pessanha, Clepsydra-

Noites são sonhos

Le Poème de l'âme - Le Vol de l'âme - Anne-François-Louis Janmot (1814-1892)

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. Mas no fundo isso não tem muita importância. O que interessa mesmo não são as noites em si são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre. Em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."

-Shakespeare-

II - GOSTO DE ...

Snow Scene - Aldrich, George Ames, 1872-1941


...NEVE

I - GOSTO DE ..

Coquelicots (Papoilas), Claude Monet

PAPOILAS
A Soul Brought to Heaven - Bouguereau, William-Adolphe

Once in a Million Years



sad

Where The Wild Roses Grow


They call me The Wild Rose
But my name was Elisa Day
Why they call me it I do not know
For my name was Elisa Day
From the first day I saw her I knew she was the one
She stared in my eyes and smiled
For her lips were the colour of the roses
That grew down the river, all bloody and wild
When he knocked on my door and entered the room
My trembling subsided in his sure embrace
He would be my first man, and with a careful hand
He wiped at the tears that ran down my face
...
On the second day I brought her a flower
She was more beautiful than any woman I'd seen
I said, "Do you know where the wild roses grow
So sweet and scarlet and free?"
On the second day he came with a single red rose
Said: "Will you give me your loss and your sorrow"
I nodded my head, as I lay on the bed
He said, "If I show you the roses, will you follow?"
...
On the third day he took me to the river
He showed me the roses and we kissed
And the last thing I heard was a muttered word
As he knelt (stood smiling) above me with a rock in his fist
On the last day I took her where the wild roses grow
And she lay on the bank, the wind light as a thief
And I kissed her goodbye, said, "All beauty must die"
And lent down and planted a rose between her teeth
...

- Nick Cave -
Ophelia - John Everett Millais

Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.

Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.

Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.

- Fernando Pessoa -

...

Meditation - Pierre Cécile Puvis de Chavannes (1824-1898)


Numa sala de aula, havia várias crianças. A dada altura uma delas perguntou à professora:

- "O que é o amor"?

A professora sentiu que a criança merecia uma resposta à altura da pergunta inteligente que fizera. Assi, e como estava na hora do recreio, pediu para que cada aluno desse uma volta pelo pátio da escola e trouxesse o que mais despertasse nele o sentimento de amor.

As crianças saíram apressadas e ao voltarem, a professora pediu à crianças que mostrassem o que haviam trazido.

A primeira criança disse: - "Eu trouxe esta flor, não é linda?"
A segunda criança falou: - "Eu trouxe esta borboleta. Veja o colorido de suas asas, vou colocá-la na minha colecção."
A terceira criança completou: "Eu trouxe este filhote de passarinho. Ele havia caído do ninho."

Terminada a exposição, a professora notou que havia uma criança que tinha ficado quieta todo o tempo. Ela estava vermelha de vergonha, pois nada havia trazido. A professora dirigiu-se a ela, e perguntou:

- E tu, porque não trouxeste nada?

E a criança timidamente respondeu: - Desculpe, professora. Vi a flor e senti o seu perfume. Pensei em arrancá-la, mas preferi deixá-la para que seu perfume exalasse por mais tempo.
Vi também a borboleta, leve, colorida! Ela parecia tão feliz que não tive coragem de aprisioná-la. Vi também o passarinho caído entre as folhas, mas, ao subir a árvore, notei o olhar triste da sua mãe e preferi devolvê-lo ao ninho.
Trago comigo o perfume da flor, a sensação de liberdade da borboleta e a gratidão que senti nos olhos da mãe do passarinho. Como posso mostrar o que trouxe?
A professora agradeceu à criança e deu-lhe nota máxima, pois ela fora a única que percebera que só podemos trazer o amor no "coração"!

Escrito por: (autor desconhecido)

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